quinta-feira, 29 de maio de 2014

Morrendo

Com enorme sinceridade
Revelo hoje meu obscuro
A minha dor, caiu meu escudo
Estou sem chão, sem refúgio
Minha aflição é concreta
Estou morrendo
Meu corpo adoecendo
Monstro tardio, irrelevante
Máscaras de medo, triunfantes
Dor latejante, estranho calmante
Morrendo serena, sem gangrena
Mas estar morto dói
E estou morrendo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Diários de Lúcia, Opus 4


O desejo vai morrendo
Junto com meu espírito
Lúcia que chora,
Lúcia que roga
Espelho da verdade
Detentor de falácias
Lucíola atordoada
Delírios meus
Mulher de luxo
Mulher de muitos
Coração único
Delírios muitos

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Nosso Hinos, Opus 1



Mordendo tua face
Bem de leve, sem desgaste
Não consigo olhar para ti
Sem imaginar-me a te despir
Arrancas-me suspiros
Contorce-me os sentidos
Entre gritos agudos
E pequenos contos no veludo
Músicas no escuro
Tomaram conta do nosso mundo

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mundo Pronto



Nascemos num mundo pronto
Onde tudo nos é disposto
Mas então eu paro e penso
Será este o mundo de todos?

Estrela no topo
Conhece de tudo um pouco
Mas haveria alguém no mundo
Para quem tudo isso é novo?

Fazemos ultrapassar o papel
Na máquina, conheces tudo e fazes o que quer
Mas o seu irmão nem teve sequer
A chance de conhecer o bom e velho papel

Detenha-se mundo
Pare um pouco sua máquina de escrever
Tem gente ainda no começo do livro
Dê-lhes a chance de crescer

O meu mundo está pronto, belo e formoso
O seu está no chão, quebrado e meio torto
Talvez não estejamos no mundo realmente pronto
Mas tenho fé de que podemos

Escrevê-lo e terminá-lo para todos.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Granizo



Pequena grande tempestade
Assusta-me durante o sono
O mundo acaba,
Acordo com o barulho oco
Do granizo quebrando
A janela de vidro

Monstros nos sonhos, pedras de gelo
Tanto gelo quanto em teu coração
E tão perigoso e violento quanto
A força que me obriga a te dar teu perdão

Me larga, não me busca
Quero estar sempre longe da sua luta
Quero um degelo
Sem granizo violento

Quero coração de fogo
Coração sem gelo
É só amor que almejo...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Primeiro Casal



Deitada na cama, a esposa nua ouvia o ruído da água escorrendo enquanto seu marido tomava uma chuveirada. Sua vontade de se levantar era mínima, mas ela sabia o que dever a chamava.

O esposo apareceu enrolado em uma toalha, porém com o corpo ainda úmido. Ele sorriu para sua amada, que esticou a mão, chamando-o de volta para a cama. Ele sabia que podia atrasá-la; naquele dia, ele sairia de casa apenas no período da tarde, enquanto ela sairia dentro de uma hora. Bom, ela sabia o que estava fazendo. Sempre sabia.

Era só mais uma manhã, como qualquer outra. O marido e a esposa haviam acordado após uma noite de amor, e de manhã fariam amor novamente.

Quando havia percebido o marido, a esposa havia ido embora. Bons momentos que passavam rápido. Amava aquela mulher, e agora sentia a falta dela.

Sentiria para sempre.

Não fariam mais amor.