quinta-feira, 5 de junho de 2014

Nossos Hinos, Opus 2


Em teus lábios 
Na tua lábia 
Sem predições 
Apenas sensações 
Sem amores, 
Só paixões 
Contradições 
Maldições 
Resolvidas com corações 
Desenhadas no peito nu 
Com batom e beijo cru 
Sensível parte iludo 
Sensível alma em luto 
Esculpido teu medo puro 
Meu senso tão nulo 
Meu escudo se tornou pó 
E você me modelou sem dó 
Rodeou meu ar 
Transformou meu só 
Levantou meu espírito 
E eliminou meu castigo.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Morrendo

Com enorme sinceridade
Revelo hoje meu obscuro
A minha dor, caiu meu escudo
Estou sem chão, sem refúgio
Minha aflição é concreta
Estou morrendo
Meu corpo adoecendo
Monstro tardio, irrelevante
Máscaras de medo, triunfantes
Dor latejante, estranho calmante
Morrendo serena, sem gangrena
Mas estar morto dói
E estou morrendo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Diários de Lúcia, Opus 4


O desejo vai morrendo
Junto com meu espírito
Lúcia que chora,
Lúcia que roga
Espelho da verdade
Detentor de falácias
Lucíola atordoada
Delírios meus
Mulher de luxo
Mulher de muitos
Coração único
Delírios muitos

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Nosso Hinos, Opus 1



Mordendo tua face
Bem de leve, sem desgaste
Não consigo olhar para ti
Sem imaginar-me a te despir
Arrancas-me suspiros
Contorce-me os sentidos
Entre gritos agudos
E pequenos contos no veludo
Músicas no escuro
Tomaram conta do nosso mundo

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mundo Pronto



Nascemos num mundo pronto
Onde tudo nos é disposto
Mas então eu paro e penso
Será este o mundo de todos?

Estrela no topo
Conhece de tudo um pouco
Mas haveria alguém no mundo
Para quem tudo isso é novo?

Fazemos ultrapassar o papel
Na máquina, conheces tudo e fazes o que quer
Mas o seu irmão nem teve sequer
A chance de conhecer o bom e velho papel

Detenha-se mundo
Pare um pouco sua máquina de escrever
Tem gente ainda no começo do livro
Dê-lhes a chance de crescer

O meu mundo está pronto, belo e formoso
O seu está no chão, quebrado e meio torto
Talvez não estejamos no mundo realmente pronto
Mas tenho fé de que podemos

Escrevê-lo e terminá-lo para todos.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Granizo



Pequena grande tempestade
Assusta-me durante o sono
O mundo acaba,
Acordo com o barulho oco
Do granizo quebrando
A janela de vidro

Monstros nos sonhos, pedras de gelo
Tanto gelo quanto em teu coração
E tão perigoso e violento quanto
A força que me obriga a te dar teu perdão

Me larga, não me busca
Quero estar sempre longe da sua luta
Quero um degelo
Sem granizo violento

Quero coração de fogo
Coração sem gelo
É só amor que almejo...